Não dá pra ser indiferente a São Paulo, é um misto de amor e ódio proporcionalmente iguais. Também não posso dizer que São Paulo é uma cidade fria, porque descontando a paralisia do trânsito e a alta competitividade a cidade funciona muito bem por conta de sua força criativa. O fato é que o cidadão paulista precisa de bom humor e criatividade para sobreviver ao caos instalado.
Orgulho dos paulistas, o lema Non Dvcor Dvco foi eternizado em nossa bandeira por Jânio Quadros décadas atrás. Sim, já fomos uma cidade que se orgulhava de ser a locomotiva da nação e também por ser cosmopolita e incansável. Mas o que identifico hoje é que a cidade respira por aparelhos e chegamos no limite. Hoje em dia o processo de emigração é inverso, muitas pessoas estão retornando a seus Estados de origem porque São Paulo, assim como vem acontecendo com os Estados Unidos e países Europeus, não oferece mais tantas oportunidades. O Sol não nasce para todos.
As práticas de política pública são também fora de medida, beneficiam muito aqueles com maior renda e poder político e menos aqueles que estão na base da pirâmide. A lei cidade limpa, a indústria da multa, as ações na região da cracolândia, a desocupação em terreno do pilantra Naji Nahas em São José dos Campos, a desordem e falta de maiores investimentos em transporte público, etc … são exemplos de um sentimento de abandono percebido nas ruas, pois as autoridades não praticam a contrapartida dos autos impostos que pagamos. Infelizmente os governos Estadual e Municipal são motivados a agir com ações impopulares.
Amo a cidade, mas não sou hipócrita de achar que aqui é o paraíso. É possível afirmar que não existe guerra civil porque nos guetos que existem dentro dos bairros da região central de São Paulo vivem milhares de imigrantes ilegais sobrevivendo a base de subemprego ou condição de semi-escravidão. Esse dumping social com foco na área têxtil é encontrado também em cidades chinesas, em Nápoles e no Leste Europeu. É o preço da competitividade em um mundo cada vez mais globalizado ou em outras palavras a máfia dos hábitos de consumo.
Penso muito nessa coisa da São Paulo ser o lugar onde a Palestina é possível porque não imagino outro lugar no mundo onde exista, com certo grau de harmonia, o encontro de tantas diferenças de pessoas com cor da pele, credo e níveis sócio culturais tão distintos. Claro que há violência, em NY também tem … mas aqui temos um abismo econômico que poderia ser suficiente para declarar uma guerra civil, tão comum em países africanos e do Oriente médio.
São Paulo é uma serpente que engole o próprio rabo simbolizando talvez, os problemas a muito tempo enraizados que sugerem não ter solução. Não sou simpático a classe política, mas o caminho mais prudente é a de valorizarmos o voto sem desperdiçá-lo por simples ignorância. Na época do regime militar o que se dizia é que o povo não sabia nem escovar os dentes, o que dirá votar.
Bom, em breve as urnas serão reabertas.
Parabéns São Paulo